EMEF fabrica 356 vagões para a Bósnia
Na sequência da celebração de um empréstimo de 32 milhões de euros de Portugal à República da Bósnia – Herzegovina para a modernização do seu sector ferroviário, a EMEF assinou, em Abril de 2005, um contrato com os Caminhos de Ferro da Bósnia – Herzegovina que prevê a reabilitação de 211 vagões e o fabrico de 28 vagões Tadns, 28 vagões Habis e 300 vagões EAS-z.
A reabilitação dos 211 vagões desenrola-se, naturalmente, na Bósnia – Herzegovina, tendo-se procedido à subcontratação de empresa local para a realização dos trabalhos, com supervisão da EMEF por intermédio de trabalhadores temporariamente deslocados.
A diversidade técnica, inerente ao fabrico, de três séries de vagões e a dimensão destas induziram ao desenvolvimento da subcontratação em diversas frentes. A concepção e o fabrico das duas séries mais pequenas, num total de 56 vagões, foram subcontratadas à Metalsines, empresa com créditos reconhecidos na área de fabricação de vagões, sob supervisão da EMEF, que contratualmente se desloca às suas instalações.
300 vagões no Entroncamento
A grande série de 300 vagões EAS-z está a ser fabricada no GOP – Grupo Oficinal do Entroncamento, sob a exclusiva responsabilidade da EMEF, que sub-contratou o fornecimento de subconjuntos diversos a empresas nacionais do sector metalomecânico, Martifer, Metalsines e Marginal, procedeu ao reforço da mão-de-obra por recurso à celebração de contratos específicos.
O projecto deste vagão foi realizado com recursos próprios da EMEF, bem como o estudo dos gabarits, da organização da linha de montagem e dos armazéns do projecto, dos fluxos de fabrico, da alimentação dos postos de trabalho e da movimentação para parqueamento e expedição. A sua qualidade foi certificada pelo Institut Kirilo Savic, de Belgrado, entidade em quem os Caminhos de Ferro da Bósnia – Herzegovina delegou essa responsabilidade e que historicamente detinha tal competência na zona dos Balcãs, mediante a realização de ensaios estáticos em Portugal, segundo normas UIC, e ensaios dinâmicos na Bósnia – Herzegovina.
Conjuntura complexa
O Projecto Bósnia desenvolveu-se numa conjuntura de mercado internacional complexa, em que as esperadas dificuldades de aprovisionamento de componentes / órgãos específicos do material circulante ferroviário, rodados, bogies, equipamento de freio, tampões de choque, aparelhos de tracção e tensores de engate, devidas ao reduzido número de fornecedores de qualidade reconhecida, foram ampliadas pelo aumento global da procura das matérias primas, ferro e aço, bem como dos referidos elementos, devido ao acréscimo do investimento em material circulante para o transporte ferroviário de mercadorias.
As circunstâncias descritas têm-se repercutido nos prazos de entrega, que sendo dilatados, não foram muitas vezes cumpridos, levando a um inevitável atraso nas entregas dos vagões novos e reabilitados.
Já foram reabilitados 115 unidades do volume global previsto, enquanto que foram enviados para a Bósnia – Herzegovina um terço dos vagões fabricados, 98 EAS-z e 25 Habis.
Marco histórico
O Projecto Bósnia é uma riquíssima experiência de desenvolvimento das capacidades de engenharia de projecto, de aprofundamento do conhecimento do mercado dos fornecedores ferroviários e metalomecânicos, de consolidação da gestão dos processos produtivos e de utilização de cadeias avançadas de transporte.
Mas, sobretudo, o Projecto Bósnia é um marco da história da EMEF, ao reafirmar a presença da empresa no sector da construção metalomecânica nacional e permitir a sua entrada no mercado internacional dos fabricantes de vagões certificados, condição por vezes indispensável para a apresentação de propostas noutros concursos.
A credibilização da capacidade da EMEF no fabrico de vagões é um factor a assinalar.
